Siga-me por Email

Precisamos De Unção Nos Púlpitos e Ação Nos Bancos


Precisamos De Unção Nos Púlpitos e Ação Nos Bancos 
Leonard Ravenhill 
(Escrito em 1950) 
 
Pode acontecer de um crente ficar muito tempo no estágio de criancinha espiritual e depois, de repente, despertar e amadurecer 
espiritualmente, tornando-se (fervoroso nas batalhas do Senhor, e manifestando um intenso amor pelos perdidos. Existe uma 
explicação para isso. (Mas nós nos achamos tão abaixo do padrão normal do cristianismo neotestamentário que o normal nos parece 
anormal). O segredo da transformação a que me referi acima é que houve um momento em que essa pessoa lutou com Deus, como 
Jacó, e saiu da luta esvaziado do seu “ego”, mas “fortalecido com poder, mediante o seu Espírito”. 
  
Para se ter uma vida vitoriosa dois elementos são indispensáveis: visão fervor. Sabemos de homens que lutam contra fortíssimas 
oposições da crítica carnal humana, e tomam de assalto os picos pedregosos do território inimigo, tão-somente para “fincar” a cruz de 
Cristo em lugares onde habita a crueldade. Por quê? Porque tiveram uma visão, e se encheram de intenso fervor. 
  
Alguém já advertiu que não devemos estar tão envolvidos com o céu a ponto de sermos totalmente inúteis na terra. Se há um 
problema que esta geração não enfrenta é esse. A verdade nua e crua é que estamos tão envolvidos com a terra que não temos 
nenhuma utilidade para o reino dos céus. Irmãos, se fôssemos tão eficientes na tarefa de enriquecer nossa 
alma quanto o somos na de cuidar de nossos interesses pessoais, constituiríamos uma ameaça para o diabo. Mas se fôssemos 
ineficientes no cuidado de nossos interesses como o somos nasquestões espirituais, estaríamos mendigando. 
  
Alguns anos atrás, George Deakin ensinou-me uma verdade usando um argumento bastante lógico. Ter visão sem missão, torna-    nos 
visionários; ter missão sem visão, leva-nos a trabalhar demais; ter visão e missão faz de nós missionários. E é mesmo. Isaías teve 
uma visão no ano da morte do rei Uzias. Talvez haja alguém à nossa frente, impedindo que tenhamos uma visão ampla de Deus. O preço a 
ser pago pelo crescimento espiritual é bastante elevado, e, às vezes, doloroso também. Você estaria preparado para ter uma visão a esse 
preço — a perda de um amigo ou de sua carreira? E para essa transformação de alma não se oferecem descontos especiais. Se 
alguém deseja apenas ser salvo, santificado e só, não há lugar para ele nas fileiras do Senhor. 
  
Isaías teve uma visão em três dimensões. Vejamos Isaías 6, versículos 1 a 9. Seu olhar se dirigiu para o alto: viu o Senhor; para 
dentro de si: viu a si mesmo; e para fora: viu o mundo. Sua visão tinha altura: viu o Senhor alto e sublime; profundidade: 
viu as profundezas de seu coração; e largura: viu o mundo. Foi uma visão da santidade. Ó amados, como nossa geração 
precisa ter uma visão de Deus em toda a sua santidade! E foi uma visão da iniqüidade: “Estou perdido! de lábios impuros!” E foi uma 
visão do desalento divino, implícito nas palavras: “Quem há de ir por nós?” 
  
E nesta hora em que vivemos, quando a média das igrejas está mais envolvida com promoções do que com orações; incentiva mais a 
competição, e se esquece da consagração, e substitui a propagação do evangelho pela autopromoção, é imperativo que tenhamos essa 
visão tríplice. “Não havendo profecia o povo se corrompe”. (Pv 29.18). E não havendo paixão pelas almas, a igreja perece, mesmo que esteja lotada dominicalmente. 
  
Certo pregador, conhecido no mundo inteiro, e que tem sido poderosamente usado por Deus nos últimos anos para promover 
avivamentos (que são.bem diferentes de cruzadas de evangelismo em massa), contou-me que também teve uma visão semelhante. 
Ainda me recordo da expressão de temor com que me falou que não sabia ao certo se estava tendo uma visão ou um sonho, se estava no 
corpo ou fora dele. Mas disse que enxergava uma enorme multidão em um profundo abismo, todo cercado de fogo, presa no “manicômio 
do universo”, o inferno. Depois disso, esse homem nunca mais foi o m esmo. Nem poderia! 
  
Será que Deus poderia confiar-nos revelação tão grandiosa? Já passamos pela escola da oração e do sofrimento para que nosso 
espírito esteja preparado para suportar uma visão tão atordoante? Feliz é aquele a quem Deus pode comunicar tal visão! 
Ninguém vai além da visão que tem. Teólogos intelectualizados não têm condições de romper a cortina de ferro da superstição e das 
trevas por trás das quais, há milênios, estão perecendo milhões e milhões de indivíduos. Talvez só homens com menos intelecto, mas 
com uma visão maior, sejam capazes disso. 
  
Ter uma mentalidade espiritual é ter gozo e paz. Mas se pararmos para pensar em estatísticas, poderemos ficar bem preocupados. Leia 
os dados que se seguem, e veja se não dá vontade de chorar. Japão — o governo da nação afirma que a população já passa da 
casa dos 120 milhões, e está crescendo ao ritmo de 1.100.000 p essoas por ano. Isso quer dizer que o número de não-convertidos 
aumentou em cinco milhões, nos últimos cinco anos. Coloque esse dado em sua lista de oração. 
  
Coréia do Norte — a população desse país é de cerca de 42 milhões, constituída em grande parte de refugiados, flagelados e famintos. 
  
Índia — na Índia há milhões e milhões de pessoas no vale da sombra da morte. 
  
Oriente Médio — aí há mais de um milhão de refugiados árabes. 
  
Europa — nesse continente, até há alguns anos, existiam cerca de onze milhões de refugiados políticos e de indivíduos que, devido à 
guerra, se achavam distantes de sua pátria. Que situação triste! 
  
China — em Hong Kong também há milhões de refugiados que escaparam da China comunista, e vivem em condições miseráveis. 
  
E para aumentar nossa responsabilidade, basta lembrar que há cerca de 20 milhões de judeus, 350 milhões de muçulmanos, 200 
milhões de budistas, 350 milhões de confucionistas e taoístas, 500 milhões de hindus, 100 milhões de shintoístas e milhões e milhões de 
adeptos de outras seitas, pelos quais Cristo morreu, e que ainda não receberam a mensagem do evangelho. Até mesmo nos Estados 
Unidos existe em torno de 50 milhões de jovens com menos de vinte e um anos que não estão recebendo os ensinamentos de Deus, e 
cerca de dez mil cidades de pequeno porte onde não há um templo evangélico. Quase um milhão de pessoas morre sem Cristo 
semanalmente, em todo o mundo. Isso não significa nada para você? 
  
Precisamos acabar com nossa religião sintética. Uma situação dessas revela a falta de unção nos púlpitos e de ação nos bancos. O 
fato é que hoje não se prega mais o evangelho com o mesmo fervor de antes, e não há mais fome de se ouvir a pregação. 
É possível que Deus esteja mais irado com os países de formação protestante como Estados Unidos e Inglaterra, do que com os 
comunistas. Acha essa afirmação absurda? Então pense seriamente no seguinte. Na Rússia há milhões de indivíduos que nunca tiveram 
uma Bíblia e nunca assistiram a um programa evangélico na televisão ou no rádio. Se pudessem ir a uma igreja, iriam de bom grado. 
Talvez estejam equivocados aqueles que oram no sentido de que os perdidos tenham uma visão do inferno para que se arrependam. 
Pode ser que eles precisem mais é de uma visão do Calvário, do Salvador sofrendo, a instar com eles para que se arrependam. Por 
que iriam querer perecer depois de visualizarem o Calvário? 
  
Conta-se que William Booth, fundador do Exército de Salvação, costumava dizer que, se pudesse, gostaria de proporcionar aos seus 
soldados em fim de curso a oportunidade de passarem vinte e quatro horas espiando para dentro do inferno, para que contemplassem o 
eterno tormento que ali impera. As igrejas fundamentalistas precisam de uma visão dessas, e quem mais precisa são os eloqüentes e 
orgulhosos evangelistas. 
  
Houve certa vez um criminoso de nome Charlie Peace. Não tinha respeito nem pelas leis de Deus nem pelas dos homens. Mas afinal 
um dia foi preso e condenado à morte. No dia de sua execução, foi levado ao corredor da morte na penitenciária de Armley, Leeds, na 
Inglaterra. À sua frente ia o capelão da prisão, lendo versículos da Bíblia em voz monótona e desinteressada. O criminoso tocou-lhe no 
ombro e indagou o que estava lendo. “O “Conforto da Religião”, replicou o sacerdote”. Charlie Peace ficou chocado de ver como ele lia aqueles textos acerca do inferno de maneira tão mecânica. Como alguém podia ser tão frio, a ponto de conduzir outro para a forca, sem emoção alguma, lendo-lhe palavras sobre um abismo profundo no qual o condenado estava prestes a tombar? Será que aquele pregador cria de fato que existe o fogo eterno, que arde incessantemente, e nunca consome suas vítimas, já que lia tudo sem ao menos estremecer? Seria  humano um indivíduo capaz de dizer a outro friamente: “Você estará morrendo eternamente, sem nunca conhecer o alívio que a morte 
poderia dar-lhe?” Aquilo foi demais para Peace, e ele se pôs a pregar. 
  
Veja só o sermão que pregou no próprio instante em que caminhava para o inferno. 
“Senhor”, disse, dirigindo-se ao capelão, “se eu acreditasse nisso em que você e a igreja dizem crer, andaria por toda a Inglaterra, só 
para salvar uma alma, e, se preciso fosse, iria de joelhos, mesmo que a superfície dela fosse recoberta de cacos de vidro, e acharia que 
teria valido a pena”. 
  
Irmão, a igreja perdeu o “fogo” do Espírito Santo e por causa disso a humanidade vai para o fogo do inferno. Precisamos ter uma visão 
do Deus santo. Deus é essencialmente santo. Os querubins não estavam clamando: “Onipotente! Onipotente é o Senhor!” Nem 
diziam: “Onipresente! Onipresente é o Senhor!” O clamor deles era: “Santo! Santo! Santo!” Precisamos deixar que o amplo conceito desse 
termo hebraico penetre de novo em nossa alma. “Se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também; se tomo as asas da 
alvorada” ele está lá. Nesta vida temporal, Deus nos cerca por todos os lados. E ele mesmo, o Deus do qual não se pode fugir, nos 
aguarda na eternidade. É melhor procurarmos ter paz com ele aqui, e nos posicionarmos no centro de sua vontade agora. 
  
Um bom estímulo para nossa alma seria permanecermos trementes na presença desse Deus santo, todos os dias, antes de sairmos para 
o trabalho. Aquele que teme a Deus, não teme os homens. O que se ajoelha diante de Deus, não se curva em nenhuma situação. Se 
tivéssemos diariamente uma visão desse Deus santo, iríamos sentirnos deslumbrados diante de sua onipresença, extasiados ante sua 
onipotência, silenciosos diante de sua onisciência e quebrantados diante de sua santidade. E a santidade dele se tornaria nossa. A 
maior vergonha de nossos dias é que a santidade que ensinamos é anulada pela impiedade de nosso viver. “Um pastor de vida santa 
torna-se um instrumento poderosíssimo nas mãos de Deus”, disse Robert Murray McCheyne. 
  
Antes de Isaías passar pela experiência descrita no capítulo 6 de seu livro, ele proferiu uma série de “ais”, para diversas pessoas. Mas, 
naquele momento, ele viu a si mesmo e disse: “Ai de mim!” “Sou eu, sou eu mesmo, Senhor, quem está precisando de oração”, diz um 
hino “negro espiritual”. E como isso é verdade! Será que não há quadros com imagens impuras pendurados nas paredes de nossa 
mente? Não haverá alguma impureza escondida em algum cantinho de nosso coração? Será que poderíamos convidar o Espírito Santo 
para caminhar conosco de mãos dadas, pelos corredores dele? Não haverá em nós intenções ocultas, motivações secretas e quartos 
fechados cheios de toda sorte de impurezas, a controlar nossa alma?  Em cada um de nós existem três pessoas: a que nós achamos que 
somos, a que os outros pensam que somos, e a que Deus sabe que somos. 
  
Literalmente somos muito condescendentes com nós mesmos, e por demais rigorosos com os outros, a não ser quando estamos 
buscando intensamente a verdadeira vitória espiritual. O “eu” ama o “eu”, embora se diga a respeito de São Geraldo Magela que, pela 
graça de Deus, “ele amava a todas as pessoas, menos Geraldo Magela”. Que belo exemplo para nós! Mas, na maioria das vezes, 
escondemos de nós mesmos nosso verdadeiro ser, para que não fiquemos enojados ante a realidade. Vamos pedir a Deus que seu 
penetrante olhar localize esse corrupto, impuro e malcheiroso ego, para que ele seja arrancado de nós e “crucificado com ele... (para 
que) não sirvamos o pecado como escravos” (Rm 6.6). 
  
Não adianta dar outros nomes ao pecado; continua sendo pecado. Algumas pessoas se justificam assim: 
“Aquele sujeito ali tem um gênio dos diabos. O que eu tenho é ira justa.” “Ela é supersensível, mas eu sou irritável porque tenho 
problemas de nervos.” “Ele é ambicioso demais; eu estou apenas ampliando os negócios.”  “Que sujeito mais teimoso! Eu tenho convicções firmes.” “Ela é muito orgulhosa; eu tenho gosto muito apurado.” 
  
É muito fácil encontrarem-se justificativas para todos os tipos de pecados; é só querer. Mas quando o Espírito Santo nos sonda o 
coração e conhece o que vai em nós, não passa a mão em nossa cabeça nem tampouco nos lesa. 
  
Perguntou-lhe (ao cego) Jesus: “Que queres que eu te faça?  Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver”. (Mc 10.51). Vamos 
nós também pedir visão a Deus — uma visão para o alto, para dentro de nós e para fora. Assim como aconteceu com Isaías, ao olharmos 
para o alto, veremos o Senhor em toda a sua santidade; ao olharmos para dentro de nós, iremos ver-nos exatamente como somos e 
enxergaremos nossa necessidade de purificação e poder; e ao olharmos para fora veremos um mundo que está perecendo sem o 
conhecimento do Salvador. “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em 
mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23,24). Só então teremos unção nos púlpitos e ação nos bancos.

0 comentários:

Postar um comentário